Educação para a Justiça

A justiça é um dos princípios substantivos da moralidade. Proclama que o valor dos atos é intrínseco a eles próprios e não provem das consequências que deles resultam. O princípio da justiça advoga que se trate o outro como um fim, não como um meio ou então que se tratem as pessoas de modo igualitário. É o princípio moral central na obra de Kohlberg. A ética da justiça, defendida pelo autor, designa uma orientação moral que procura resolver conflitos de interesse apelando para a justiça ou tratamento igualitário. É uma forma de ética distinta da ética do cuidado, cujo princípio substantivo de moralidade é a benevolência, um princípio que realça que a solução dos conflitos deve passar pela intimidade, conexão e relação.

A educação para a justiça surge na literatura sobre a moralidade como um tipo de educação moral. Proclama que se deve estimular o desenvolvimento do pensamento e da ação moral, o qual resulta de interações constantes entre as pessoas, através de métodos propícios a construção diária do sentido da diferença, dos outros e dos princípios. É um tipo de educação moral distinto da educação do caráter, também designada como educação para os valores ou educação para a cidadania, defendida pelos que afirmam que a moralidade reside no respeito do indivíduo pelas normas morais defendidas socialmente. Na perspetiva de Kohlberg, a educação do carácter é tida como eticamente discutível por recorrer a doutrinação e ao ensino direto de conteúdos morais ou bons comportamentos (poço de virtudes), defendendo a educação para a justiça como uma forma de educação moral capaz de ultrapassar estes aspetos problemáticos.

Em termos de conteúdos, a educação para a justiça pretende estimular mais o desenvolvimento do pensamento moral e menos a adoção de uma conjunto de comportamentos tidos como bons e morais a partir apenas do exterior. Por outras palavras, não interessa tanto à educação para a justiça educar a criança e o jovem para que nunca façam batota como educá-los para que venham a ser capazes de construir razões moralmente avançadas que lhe permitam ver a imoralidade desse comportamento concreto.

Quanto aos objetivos, a educação para a justiça visa que a pessoa venha a ser capaz de pensar em termos de moralidade pós-convencional, na convicção que uma ação é tanto mais justa quanto mais reversíveis e universais forem as razões subjacentes, e de agir de acordo com este nível de pensamento.

Em termos de métodos, a educação para a justiça valoriza a discussão de dilemas morais (ex.: roubar para salvar uma vida versus respeitar o direito a propriedade), as oportunidades de descentração social (capacidade para se colocar no ponto de vista dos outros e ver o mundo como eles o veriam se vestisse a sua pele ou calçasse os seus sapatos), o conflito sócio-cognitivo (confronto entre pontos de vista diferentes) e a vivência em comunidades justas (tipo de meio onde as relações entre as pessoas se baseiam na cooperação, na igualdade e no respeito mutuo).

Em suma, a educação para a justiça parece ser uma forma suprema de educação moral, a que melhor promove o desenvolvimento do raciocínio moral e a que melhor garante o respeito pela diferença e pelos outros.

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